Um Momento de Poesia

Descobri que fez este mês, mais um ano sobre a morte de Manuel Bandeira... Aqui fica um dos poemas deste brasileiro de Recife-Pernambuco
Chora de manso e no íntimo procura
Um espaço para desabafos de vida... alegrias, tristezas... encontros e desencontros...
Estou na gare do adeus.
Os comboios param para eu entrar. São confortáveis, modernos, acolhedores, vão carregados com surpresas, as pessoas conversam, sorriem, cantam.
Não entro, a minha alma grita que a partida é inevitável, mas o coração recusa-se a sentir.
A memória é aliada do coração. Mostra o filme do meu sonho, tão curtinho, tão pequenino, mas tão forte.
Ouço os carris a estremecer, tenho que ir.
Os bancos estão novos, sou a única passageira. A música que ouço é-me familiar “souls in ecstasy”. O quanto falta à minha alma para atingir esse estado. Gostava de saber o destino que leva este comboio, mas a quem perguntar se estou sozinha?...
O coração acedeu e abraçou-se à minha alma. Era ilusória a sensação de vazio no comboio, afinal estamos três. Eu e os meus suportes celestiais (coração e alma).
Os meus olhos procuram tudo e vêm o nada que há. As mãos estão geladas e estilhaçam a chuva miudinha que insiste em não me largar a face.
Algo se mexe…é o comboio…em movimento…
Para onde irei? Ainda pensei em saltar da janela, assim evitava a viagem só de ida.
Vou espreitar um ecrã azul lá no fundo da carruagem. Ler sempre foi um prazer, mas agora é-me difícil juntar as letras.
Que letras tão sem sentido estão aqui para eu as ler:
Adeus meu amor.
Paragens: tristeza, serenidade, sorrisos, amor, desamor, alegria, felicidade, harmonia, e mais algumas que não constam do itinerário.
Destino: A MINHA VIDA
Tulipa, 17 de Abril de 2005